A demanda cada vez maior por recursos por uma população crescente está causando uma enorme pressão sobre a biodiversidade do planeta e ameaça nosso futuro em termos de segurança, saúde e bem-estar. É o que revela a edição de 2012 do Relatório Planeta Vivo da Rede WWF, principal pesquisa bianual sobre a saúde do planeta.

Produzido em colaboração com a Sociedade Zoológica de Londres e a Global Footprint Network (Rede da Pegada Mundial), o relatório deste ano foi lançado nesta terça-feira (15 de maio) na Estação Espacial Internacional pelo astronauta holandês André Kuipers, que apresentou uma perspectiva única da situação do planeta em sua missão na Agência Espacial Europeia.

“Temos apenas um planeta. Daqui de cima, posso ver a pegada da humanidade, inclusive os incêndios florestais, a poluição do ar e a erosão – são desafios que se refletem nesta edição do Relatório do Planeta Vivo”, afirmou Kuipers, ao apresentar o relatório durante sua segunda missão espacial. “Embora o planeta sofra pressões insustentáveis, nós temos a capacidade de salvar o nosso lar, não apenas em nosso próprio benefício mas, sobretudo, para as próximas gerações”, completou Kuipers.

A versão completa do relatório está disponível apenas em inglês, mas o WWF-Brasil lançou nesta terça-feira, em Brasília, a versão reduzida do estudo, o Sumário Relatório Planeta Vivo, a Caminho da Rio+20. A publicação traz os principais resultados do relatório e uma análise da situação ambiental do planeta nestes últimos 20 anos, desde a Rio 92 até a Rio+20.

O Relatório do Planeta Vivo utiliza o Índice Planeta Vivo, mundial, para medir as mudanças na saúde dos ecossistemas do planeta, por meio do rastreamento de 9 mil populações de mais de 2.600 espécies. Esse índice global mostra uma diminuição de quase 30%, desde 1970, que é mais acentuada nos trópicos – onde foi constatado um declínio de 60% em menos de 40 anos. Assim como a biodiversidade se encontra numa tendência descendente, a Pegada Ecológica do Planeta Terra – que é outro indicador chave utilizado nesse relatório – ilustra como a nossa demanda por recursos naturais se tornou insustentável.

“Vivemos como se tivéssemos um planeta extra à nossa disposição. Utilizamos 50% mais recursos do que o planeta Terra pode produzir de forma sustentável. A menos que a gente altere esse rumo, esse número vai aumentar rapidamente – até 2030, até mesmo dois planetas não serão suficientes”, afirma Jim Leape, Diretor Geral da Rede WWF.

O relatório destaca o impacto do crescimento da população humana e o consumo excessivo como sendo as forças que causam maior pressão sobre o meio ambiente. “Esse relatório é como um check-up do planeta e os resultados indicam que ele está muito doente”, explicou Jonathan Baillie, Diretor do Programa de Conservação da Sociedade Zoológica de Londres. “Se ignorarmos este diagnóstico, isso terá implicações importantes para a humanidade. Nós podemos restaurar a saúde do planeta, mas somente iremos conseguir isso se abordarmos as raízes das causas, que são o crescimento populacional e o consumo excessivo.”

O relatório também destaca o impacto da urbanização como uma dinâmica crescente. Até 2050, duas em cada três pessoas viverão em uma cidade; e a humanidade precisará desenvolver formas novas e aperfeiçoadas de gestão e manejo dos recursos naturais.

A diferença entre os países ricos e pobres também foi destacada neste relatório. Países com renda elevada têm uma Pegada Ecológica que é, em média, cinco vezes a dos países de baixa renda.

Os 10 países com a maior Pegada Ecológica por pessoa são: Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Estados Unidos da América, Bélgica, Austrália, Canadá, Holanda e Irlanda.

No entanto, de acordo com o Índice Planeta Vivo, o declínio da biodiversidade desde 1970 tem sido mais rápido nos países de baixa renda – o que demonstra como as nações mais pobres e mais vulneráveis subsidiam o estilo de vida dos países mais ricos. A decrescente capacidade biológica (que é a capacidade de uma região de regenerar recursos) exigirá que um país importe recursos essenciais de ecossistemas estrangeiros – o que, potencialmente e em longo prazo, será em detrimento desses países.

“A dependência crescente de recursos externos coloca os países em significativo risco. A crise ecológica torna-se uma causa de nossas crescentes dores econômicas”, afirma Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network.

“Usar cada vez mais de uma natureza que é cada vez menor é uma estratégia perigosa. No entanto, a maior parte dos países continua nesse caminho. Com isso, eles colocam em risco não apenas o planeta mas – o que é ainda mais importante -, colocam a si próprios em risco.”

O Relatório Planeta Vivo apresenta diversas soluções necessárias para reverter o declínio apresentado pelo Índice Planeta Vivo e para diminuir a Pegada Ecológica para um limite compatível com o planeta. Essas soluções são colocadas como 16 ações prioritárias e incluem uma melhoria nos padrões de consumo, com a atribuição de valor econômico ao capital natural, e a criação de marcos legais e políticos para uma gestão equitativa de alimentos, água e energia.

Rio+20

O lançamento do relatório acontece cinco semanas antes que as nações, empresas e sociedade civil se reúnam no Rio de Janeiro para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20. Passados 20 anos desde a última cúpula mundial sobre o planeta, essa reunião agora constitui uma oportunidade chave para que as lideranças mundiais reconfirmem seus compromissos com a criação de um futuro sustentável.

“O Brasil, que abriga uma de uma das maiores biodiversidades do mundo, tem um papel fundamental nesse processo de mudança, que deve ocorrer não apenas no discurso mas, principalmente, com ações práticas”, afirma Maria Cecília Wey de Brito, Secretária-Geral do WWF-Brasil. E para ela, esse compromisso deve ser de todos: dos governos, dos cidadãos e das organizações da sociedade.

“Os governos devem assumir o compromisso com a conservação ambiental e adotar ações que garantam a proteção dos ecossistemas, como, por exemplo, o incentivo à criação e à implementação de áreas protegidas, o combate ao desmatamento, o incentivo ao consumo responsável e o estímulo a boas práticas produtivas”, ressalta.

De acordo com Maria Cecília, no que se refere às cidades, é fundamental que elas usem mecanismos de avaliação de impactos, como a Pegada Ecológica e adotem políticas públicas de mitigação que ajudem a reduzir os impactos. Ela também destaca o papel do cidadão nesse processo. “Os cidadãos precisam repensar o seu consumo, avaliar até que ponto seus hábitos cotidianos estão impactando o meio ambiente e fazer escolhas mais sustentáveis”.

O lançamento do relatório pelo WWF-Brasil,  em Brasília, contou com a presença de Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro a ver o planeta do espaço. Ele falou sobre a experiência de ver a terra de longe. “Eu gostaria que todas as pessoas tivessem a oportunidade de ver o planeta do alto. A essa distância, é possível ver o quanto ele está sendo degradado”. De acordo com Pontes, é muito bom ter o conforto que a cidade oferece mas  isso não pode ser  feito a custa de destruir nossos recursos naturais, o que vem acontecendo em um ritmo acelerado. “As cidades, vistas do espaço, são como cicatrizes no planeta. O ideal é que elas fossem tatuagens e não cicatrizes”, comparou.

* Publicado originalmente no site WWF Brasil

 

São José da Bela Vista (393 km de São Paulo) foi o primeiro município do Estado a ser beneficiado por um programa do governo federal que tem como objetivo acabar com a evasão escolar.

Na sexta-feira, 11 de maio, a pequena cidade da região de Ribeirão Preto, com pouco mais de 8.000 habitantes, recebeu as 900 bicicletas do programa Caminho da Escola.

Nesta segunda-feira (14), no primeiro dia de aula após a entrega das bicicletas, os novos veículos de transporte mudaram a rotina da cidade, segundo o inspetor de alunos Antonio Carlos Dias Feliz. “Tem muita criança pedalando pelas ruas. Elas estão animadas com a novidade. Despertou a curiosidade de todos”, disse.

As bicicletas foram entregues para crianças que cursam do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental da escola municipal José Renato Nogueira Ambrósio (711 unidades).

Outras 15 foram para o EJA (Educação de Jovens e Adultos) da cidade. No total, São José já recebeu 900 –174 ainda serão entregues a outros alunos da cidade.

Segundo a diretora da escola, Elisabete Balan Isaac, as bicicletas vão ajudar os estudantes. “Temos alunos que andavam até cinco quilômetros para estudar. Faltavam muitas vezes. Agora, as bicicletas vão facilitar a vida de todos. Hoje já percebi uma maior presença dos alunos.”

A diretora acrescentou que o programa vai ajudar, principalmente, crianças que moram na zona rural –são cerca de 70 matriculadas.

Programa

O programa do governo federal prevê a entrega de 2.542 bicicletas em seis cidades paulistas. Além de São José da Bela Vista, vão receber bicicletas Anhembi, Elias Fausto, Barretos, Monte Azul Paulista e Aparecida d’Oeste.

O programa foi criado em 2007 e tem objetivo de ampliar os meios de transportes dos estudantes através da renovação da frota de veículos escolares para reduzir a evasão escolar.

Também prevê a aquisição de ônibus e vans, mas disponibiliza também aos municípios a compra de barcos e bicicletas.

Cada um dos veículos possui numeração. Todos os alunos com idades entre 6 e 11 anos receberam ainda equipamentos de segurança.

O dono da oficina onde mais de 300 bicicletas foram montadas afirmou que a atenção precisou ser maior. “Sabemos que elas são para as crianças e por uma causa importante. O capricho teve que ser grande”, diz..

* Publicado originalmente no site do Portal Aprendiz.

Publicada no DOU (Diário Oficial da União), a lei complementar nº 140/2011, que dispõe sobre o artigo 23, parágrafo único, e incisos III, VI e VII da Constituição Federal e trata da competência para o licenciamento ambiental.

A nova lei altera a lei nº 6.938/1981 e dispõe sobre “a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora”.

 

A lei complementar 140/2011 já está em vigor desde a data de sua publicação e aplica-se apenas aos processos de licenciamento e autorização ambiental iniciados a partir de sua vigência.

 

 

Para coordenar a implementação da lei serão criadas comissões. A Comissão Tripartite Nacional será formada, paritariamente, por representantes dos Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, com o objetivo de fomentar a gestão ambiental compartilhada e descentralizada entre os entes federativos.

As Comissões Tripartites Estaduais serão formadas, paritariamente, por representantes dos Poderes Executivos da União, dos Estados e dos Municípios, com o objetivo de fomentar a gestão ambiental compartilhada e descentralizada entre os entes federativos.

A Comissão Bipartite do Distrito Federal será formada, paritariamente, por representantes dos Poderes Executivos da União e do Distrito Federal, com o objetivo de fomentar a gestão ambiental compartilhada e descentralizada entre esses entes federativos.

As Comissões Tripartites e a Comissão Bipartite do Distrito Federal terão sua organização e funcionamento regidos pelos respectivos regimentos internos.

Veja a íntegra da lei complementar nº 140/2011 no Observatório Eco

 Daniele Bragança
17 de Maio de 2012
 Volney Zanardi é o novo presidente do Ibama. A nomeação foi publicada hoje no Diário Oficial da União. O novo presidente, que deixa o cargo de diretor do Departamento de Gestão Estratégica da secretaria executiva do Ministério do Meio Ambiente, substitui Curt Trennepohl, que pediu exoneração para cuidar de problemas na saúde. O ex-presidente estava licenciado há mais um mês da presidência do Instituto.

Zanardi é funcionário de carreira da Agência Nacional das Águas (ANA) e atuou no Ibama como coordenador-geral de Licenciamento Ambiental no ano de 2003. Depois disso, assumiu o de direção do Departamento de Articulação Institucional no Ministério do Meio Ambiente (MMA). No ministério, foi também diretor do Departamento de Articulação Institucional e de Economia e Meio Ambiente.

Antes de assumir a presidência do Ibama, Zanardi, que também é afiliado ao PT, ocupava o cargo de diretor do Departamento de Gestão Estratégica da Secretaria Executiva do MMA e de Secretário-Executivo substituto, trabalhando diretamente com a ministra Izabella Teixeira.

Formado em engenharia química, Volney Zanardi é mestre em Ecologia e doutor em Ciências Ambientais. Sua nomeação para o cargo saiu nesta quinta-feira (17) no Diário Oficial da União.

A decisão da presidente Dilma Rousseff de mandar publicar na internet os salários, com todos os penduricalhos, dos ocupantes de cargos públicos no Executivo desencadeou uma reação dos sindicatos de servidores, que foi reforçada pela resistência da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e entidades do Judiciário, e vai acabar em uma batalha judicial.

Com isso, a Lei de Acesso à Informação, criada com o objetivo de tornar a gestão pública mais transparente e eliminar as resistências à divulgação de dados oficiais, pode virar objeto de disputa entre Poderes. Servidores federais ameaçam ir à Justiça contra a divulgação de salários, auxílios, ajudas de custo, jetons e “quaisquer vantagens pecuniárias,” de maneira individualizada, dos ocupantes de cargos públicos.

Válido para o Executivo federal, o decreto publicado nesta quinta no Diário Oficial da União deve constranger os Poderes Judiciário e Legislativo de todo país – e vai na contramão da postura do Senado Federal, que decidiu que os vencimentos dos funcionários são informação protegida.

Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto na última quarta-feira, a presidente disse que a transparência funciona como inibidor eficiente de “todos os maus usos do dinheiro público”. “Fiscalização, controle e avaliação são a base de uma ação pública ética e honesta”, afirmou Dilma, que já perdeu sete ministros por conta de denúncias.

Para o secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Josemilton Maurício da Costa, a divulgação de salários expõe a intimidade do servidor.

“Transparência tem limite. O servidor já declara o seu imposto de renda, vai ter exposto o contracheque pra todo mundo ver? É no mínimo quebra de sigilo, é um desrespeito à intimidade do servidor e abre espaço para tudo que é mazela, sequestro relâmpago, má-fé”, criticou Costa, que não quis informar seu salário.

“A presidente Dilma tem de se preocupar é com quem pratica a dilapidação do patrimônio público e acumula rendas ilícitas. Hoje o governo Dilma virou balcão de negócios, esses (os servidores comissionados) é que têm de ter sua renda exposta.” Na avaliação do secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no DF (Sindsep-DF), Oton Pereira, a divulgação individualizada é “invasão de privacidade”.

“A corrupção e os desvios públicos não se dão no contracheque do servidor. Se dão nas negociatas, convênios, nas terceirizações, nas negociatas dos gabinetes ministeriais. É desviar a atenção do foco principal”, condena. “Os servidores conhecem muito bem os salários de todo mundo. É invasão de privacidade.” Questionado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o secretário-geral disse que ganha mensalmente 5.650 reais brutos. Sindsep e Condsef já estão consultando suas assessorias para ir à Justiça e reverter a decisão da presidente, caso o Planalto não volte atrás.

BRASÍLIA – Setores e sindicatos do Judiciário vão resistir à publicação dos salários e vantagens pagos a cada um dos servidores da Justiça. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, porém, demonstraram disposição em dar ampla publicidade aos dados relativos às remunerações. Gurgel afirmou nesta quinta-feira, 17, que o Ministério Público “tem de ser um exemplo de transparência”.

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Ao ser indagado se o Judiciário divulgaria os seus salários de forma pormenorizada, Ayres Britto disse que os ministros definirão isso, mas sinalizou que é a favor da medida. O presidente do STF lembrou que foi relator de um processo no qual foi questionada a divulgação de salários da Prefeitura de São Paulo. “Só exclui da publicação os endereços, por questão de segurança.”

Ayres Britto afirmou que há duas formas para regulamentar a Lei de Acesso a Informações no Judiciário. “Uma é cada tribunal fazer a sua regulamentação; outra é tentarmos um regulamento conjunto. Ainda não definimos.”

Vulneráveis. O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, disse que o decreto assinado pela presidente Dilma vale só para o Executivo. Ele é contra divulgar o nome de funcionários e respectivos salários porque considera que isso torna as pessoas vulneráveis a ações de criminosos.

“Quem vive no mundo de hoje sabe que divulgar o nome é a mesma coisa que dar endereço e telefone. Pelas redes sociais, Google, qualquer pessoa é encontrada. A Constituição ainda assegura direito à intimidade. As pessoas têm de ser protegidas. Se você publica na internet o nome da pessoa com o salário, as organizações criminosas vão levantar o endereço e isso torna a pessoa vulnerável a ataques.”

O coordenador de administração do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário e do Ministério Público da União no DF, Jailton Assis, concorda: “Não temos divergência quanto à divulgação de salários. Mas a divulgação nominal é muito ruim. Uma coisa é entender o custo do Judiciário para a sociedade. Outra é conhecer nomes de cada servidor, alimentando uma situação de risco real.”

Mundo - Outros países que implantaram lei de acesso à informação passaram por situações semelhantes, observa o assessor de Comunicação e Informação da Unesco para o Mercosul e Chile, Guilherme Canela. “Essa discussão está posta e muitas democracias tem decidido pela publicação, sem grandes repercussões negativas para os funcionários individualmente e em geral com repercussões positivas para a sociedade como um tudo”, diz.

Políticos estariam envolvidos em negociação ilegal de terreno público, diz MP.
Duas pessoas estão foragidas, uma delas no exterior, diz capitão da Força Nacional.

 

Todos os vereadores que integram a Câmara Municipal de Rio Largo AL estão sendo presos no começo da noite desta quinta-feira, 17, em uma operação da Força Nacional, em parceria com o Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), do Ministério Público Estadual (MPE/AL). Segundo informações da 17ª Vara Criminal da Capital, responsável pela expedição dos mandados de prisão, os edis são acusados de desvios de verbas públicas e formação de quadrilha. Até o momento, sete mandados de prisão já foram cumpridos. Além dos vereadores, também são acusados no desvio empresários e outros profissionais liberais. Segundo a denúncia do Gecoc, eles devem responder, entre outras ações, por formação de quadrilha. As prisões são consequência de uma investigação acerca de supostas irregularidades encontradas na Câmara e na Prefeitura de Rio Largo.

Glauco Araújo Do G1, em São Paulo

Oito vereadores da Câmara Municipal de Rio Largo (AL) e dois empresários foram presos, no começo da noite desta quinta-feira (17), durante uma operação conjunta da Força Nacional com integrantes do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), do Ministério Público de Alagoas. Foram cumpridos 12 dos 14 mandados de prisão expedidos pela 17ª Vara Criminal de Maceió.

De acordo com o capitão Maurício Panisset, comandante da Força Nacional na capital alagoana, sete dos vereadores foram presos durante sessão na Câmara Municipal de Rio Largo. “Um acabou se entregando depois da ação na câmara. Além deles, dois empresários foram presos também. Um enquanto trabalhava e o outro em sua casa. Outros dois empresários permanecem foragidos, sendo que um deles está fora do país.”

Segundo informações de um dos magistrados da 17ª Vara Criminal, que pede para o nome não ser divulgado por razões de segurança, o grupo é acusado pelo Gecoc de corrupção, fraude em licitação, desvio de verba pública e formação de quadrilha durante a negociação de compra e venda de um terreno público desapropriado na cidade. “O valor do terreno estava calculado em torno de R$ 30 milhões e foi vendido por cerca de R$ 700 mil. Trata-se de uma área que pertencia a uma usina falida e que foi desapropriada pelo município”, disse Panisset.

A investigação da promotoria identificou que o terreno seria usado para a construção de um conjunto habitacional, sujo projeto teria sido aprovado pelos vereadores da Câmara Municipal de Rio Largo. “Pelo visto, não haverá sessão na câmara, porque todos os vereadores estão presos. Eles saíram do prédio da câmara sob vaias e ovos. A população estava lá, indignada”, disse o capitão da Força Nacional.

Todos os presos foram levados para o Instituto de Medicina Legal (IML) para exames de corpo de delito e deverão ser levados para a Casa de Custódia em Maceió, onde devem permanecer à disposição da Justiça, segundo a Força Nacional.

O prefeito Toninho Lins (PSB) é acusado de vender, com o aval de todos os vereadores, um terreno de 252 hectares, equivalentes a 2.520.000 m2, avaliado em mais de R$ 21 milhões, para a empresa MSL Empreendimentos Imobiliários por apenas R$ 700 mil, o que confere a cada metro quadrado o valor de R$ 0,27.

Presos e foragidos

Os vereadores presos são: Jefferson Alexandre (PP), Reinaldo Cavalcante (PP), Ionaide Cardoso (PMDB), Aurízio Espiridião da Hora (PP), Cícero Inácio Branco (PMDB) e Milton Pontes (PPS). Também foi preso o suplente de vereador José Nilton Gomes de Souza – o Nilton da Farmácia (PSB) – que assumiu o cargo em outubro de 2010, no lugar do vereador Jean Móveis (PRP), e participou da votação que desapropriou o terreno por unanimidade.

Agora já são 227 municípios na Bahia em estado de emergência!!!

 

A SECA NO ESTADO DA BAHIA
Eng. Manoel Bomfim Ribeiro

A seca já se instalou nos sertões do estado da Bahia produzindo os seus efeitos negativos e nefastos sobre a economia dos agricultores.
Não é uma seca inusitada, mas prevista de longas datas pelos estudos do Instituto de Atividades Espaciais-(IAE) de São José dos Campos. Esta previsão foi chamada de “Prognóstico do Tempo a Longo Prazo” Baseia-se em interpolações e pesquisas cuidadosas fundamentadas no histórico pluviométrico da região nordeste. A cada 26 anos ocorre uma grande seca, como aconteceu a de 1979/84 quando o DNOCS e outros órgãos dos estados nordestinos receberam antecipadamente relatórios sigilosos analisando e alertando para o que iria ocorrer. Não é um modelo matemático na acepção do termo, mas um “Método Estatístico de Correlação,” estudo que passou a merecer toda a credibilidade dos técnicos e dos poderes administrativos.
Fizemos, pessoalmente e por curiosidade, uma regressão com o perfil senoidal das secas acontecidas desde a chegada de Tomé de Sousa ao Brasil. A coincidência foi magistral, a cada 26 anos a senóide entra no seu ramo descendente apontando exatamente as secas ocorridas na região em séculos passados. Exemplificamos só algumas: 1582/84-1777/80-1877/80 -1930/33 1957/59 e por aí vai a ciclometria das secas
Não é uma equação, é um modelo que pode sofrer alterações nas datas presumidas das secas para mais ou para menos devido à complexidade da trama atmosférica que foge aos domínios de técnicos, meteorologistas e cientistas. Esta seca instalada agora, sobretudo no estado da Bahia, promete durar todo o ano de 2012 e também por todo o ano de 2013.
Neste estudo procuramos mostrar o sistema ondulatório dos períodos de chuvas escassas indicando a projeção das estiagens que afligem a região.
Analisemos agora o Semi-Árido baiano.
O Semi-Árido dos quatro estados Ceará, Paraíba, R. G. do Norte e Pernambuco somam uma área total de 327.000 km² e o da Bahia sozinho tem área de 320.000 km², praticamente igual. Desde o final do século XIX aqueles estados começaram a luta pela geração de água construindo açudes de maneira obstinada. A seca de 1877/80 foi tirana ceifando 500.000 vidas, 10% da população nordestina que era na época de 5.000.000 de habitantes. Uma grande calamidade. Morriam de fome, sede, tifo, bexiga e outras endemias. Uma grande tragédia registrada na história do Nordeste e jamais esquecida.
Juntar água foi, então, o grande objetivo de todos os nordestinos uma vez que estes reservatórios se tornaram essenciais para melhorar os terríveis efeitos da seca. O açude é um núcleo de vida, de atividade social e econômica, sobretudo nos períodos calamitosos de secas.
A nucleação em torno da açudagem foi de tal importância que os nossos técnicos se tornaram os maiores barrageiros do mundo e ao logo do século XX construíram a maior rede de açudes do planeta Terra, mais de 70.000 açudes armazenando 40 bilhões de m³ de água, volume igual a 16 baias da Guanabara. O sertão virou mar.
O Semi-Árido baiano, entretanto, ao longo do século XX, ficou totalmente esquecido pelos governantes apesar da sua mais baixa pluviosidade. Não participou da epopéia nordestina gerando e acumulando água para os períodos inditosos. Não tivemos um programa específico e determinado de construir uma estrutura hídrica.
O Estado já tinha tudo, “Cacau, Petróleo e Paulo Afonso, as riquezas da Bahia”, um jingle eleitoral. O cacau declinou, o petróleo, o maior produtor em terra, é, hoje, o R.G. do Norte e Paulo Afonso é de todo o Nordeste. Construímos, tão somente, cerca de 150 açudes de pequeno e médio porte armazenando 1 bilhão de m³. Toda nossa água armazenada cabe num único açude do Ceará, o Araras que acumula 1 bilhão de m³. Em 1882, há 130 anos passados, o Rio G. do Norte já tinha açude acumulando 600.000 m³ de água. Em 1934 o Ceará já armazenava 1 bilhão de m³ o que hoje acumula a Bahia.
O nosso Semi-Árido possui uma excelente rede filamentar de rios e riachos intermitentes podendo construir um portentoso programa de açudagem, mas nada foi feito.
Vejamos mais, o rio São Francisco banha 850 km no Estado pela margem esquerda, de Carinhanha a Casa Nova e 1300 km pela direita, de Malhada a Paulo Afonso. São mais de 2.000 km lindeiros, mas não possuímos uma só adutora adentrando-se pelos nossos sertões. O estado de Sergipe, com 250 km de rio, tem 5 adutoras levando água aos seus municípios.
O Semi-Árido baiano se constitui, portanto, na maior solidão hidro geográfica do Brasil.
Não estamos preparados para enfrentar a grande seca de 2012/13. Os nossos administradores foram sempre absenteístas em relação a esta grande hinterlândia baiana. São 269 municípios, 57% da área do Estado carentes de estrutura hídrica.
O programa de cisternas é excelente para as famílias sertanejas, já é um avanço, mas é água domestica, mitiga a sede, mas não gera economia.
Temos, portanto, um Semi-Árido pobre, mas prenhe de riquezas naturais. A caatinga com suas 922 espécies botânicas é um bioma único no mundo. Por ser pouco explorada, esta grande área mantém ainda uma rica vegetação xerófila, verdadeiro baluarte contra a desertificação devido a sua intensa inflorescência para a perpetuação das espécies. Esta rica fitogeografia é um paraíso, o melhor do mundo para o desenvolvimento de um vigoroso programa de apicultura orgânica. O Semi-Árido baiano, este grande sertão dilatado, pode produzir cerca de 120.000 toneladas de mel por ano, três vezes o que todo o Brasil produz.
A faveleira, euforbiácea leguminosa, nativa dos nossos sertões, é, ainda, um diamante bruto da caatinga á espera de lapidação. Ela, sozinha, redimirá o Semi-Árido baiano com a produção de um finíssimo óleo de mesa que substituirá, com vantagens, o óleo de oliva, além da sua excelência como forrageira para caprinos, riquíssima em proteínas. Existem muitas outras riquezas naturais, mas permanecem inexploradas na estática do nada.
Estas potencialidades naturais da região não fazem, entretanto, nenhum progresso sem que haja o empenho da sociedade e dos poderes constituídos. O Semi-Árido setentrional está anos-luz á frente do baiano, preparado para a grande seca e nós aqui no estado da Bahia ainda estamos de calças curtas

Adriana Ferraz e Felipe Frazão – O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – O Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo abre inquérito civil nesta terça-feira, 15, para investigar crime de improbidade administrativa, por suposto enriquecimento ilícito, praticado por Hussain Aref Saab, que exerceu o cargo de diretor do Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov) da capital desde 2005. Ele foi afastado do cargo no mês passado pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD). Outros dois servidores são investigados.

Veja também:
link CGM pediu exoneração de funcionário da Sehab
link Prefeitura abre inquérito contra ex-diretor que liberava prédios
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Local tinha até ligação elétrica clandestina - Divulgação
Local tinha até ligação elétrica clandestina

A exoneração foi recomendada pela Corregedoria-Geral do Município (CGM), órgão de fiscalização que investiga Aref por corrupção, formação de quadrilha e prevaricação. Ele nega as acusações. Reportagem publicada ontem pela Folha de S.Paulo revela que Aref, cuja renda mensal é de cerca de R$ 20 mil, adquiriu 106 imóveis no período em que comandou o Aprov e tem patrimônio estimado em R$ 50 milhões. A lista de bens incluiria 24 vagas de garagem. O Aprov responde pela concessão de licenças para a construção de empreendimentos com mais de 500 m².

O MPE afirmou ontem que já tem conhecimento de 80 bens registrados no nome do ex-diretor. São apartamentos residenciais – a maioria de lançamentos recentes e na zona sul da cidade, como nas proximidades do Aeroporto de Congonhas e do Parque do Ibirapuera.

Um imóvel, em especial, despertou a atenção da Corregedoria. Trata-se de um apartamento na Rua Coriolano, na Lapa, zona oeste. Um mês depois de comprar a unidade, em abril de 2009, Aref concedeu licença para a mesma construtora iniciar outra obra, na Rua dos Piemonteses, em Raposo Tavares.

Tanto a Corregedoria quanto o MPE querem saber se há relação entre os fatos, ou seja, se o ex-diretor adquiria, com regularidade, imóveis de construtoras avaliadas por ele. Ou se ganhava unidades para beneficiar as empresas na “fila”da burocracia.

Propina. A investigação da Corregedoria começou em março, após uma denúncia anônima ter sido entregue por escrito no setor de protocolo da Prefeitura. Segundo o delator, que se identificou como um “cidadão indignado que já presenciou o esquema de corrupção”, Aref tornaria mais ágil a aprovação de obras mediante pagamento de propina em dinheiro ou em imóveis.

O ex-diretor teria a ajuda de outros dois funcionários públicos: sua assessora Aurea Peixoto Zapletal e Paulo Roberto Castaldelli, que integra o Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades), órgão que julga pedidos de licenciamento ambiental, e ex-diretor do Aprov 1.

Sob o comando de Aref, os dois auxiliariam a acelerar ou “engavetar” a aprovação de projetos e a operar um estoque paralelo de outorgas onerosas. A suspeita é de que eles manipulavam a concessão de autorizações para levantar prédios acima da altura prevista pelo Plano Diretor. Além dos três servidores, o esquema teria a ajuda de um despachante, cuja identidade não foi revelada.

A CGM recomendou na sexta o afastamento cautelar imediato dos servidores. Ontem, a Secretaria de Negócios Jurídicos (SNJ) disse ter aberto inquérito administrativo contra os dois, por suspeita de participação no esquema. O patrimônio deles, no entanto, não foi revelado.

Corrupção. A suspeita de corrupção já é apurada pelo Ministério Público desde o fim do ano passado. Na área cível, o promotor de Justiça Silvio Antonio Marques, da Promotoria do Patrimônio Público Estadual, informou ontem que, se comprovada a suspeita de improbidade administrativa, o órgão pode pedir a devolução dos imóveis, além da aplicação de uma multa no valor de três vezes o patrimônio considerado ilícito. O crime, porém, não rende prisão.

Nos últimos sete anos, além de aprovar a construção de novos empreendimentos, Aref também opinava em processos de tombamento de bens com valor histórico. Como diretor do Aprov, tinha vaga de suplente nas reuniões do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio (Conpresp), mas não raramente substituía o secretário municipal de Habitação, Ricardo Pereira Leite, na função. Além de Pereira Leite, os ex-secretários da pasta Orlando Almeida Filho e Elton Santa Fé Zacharias podem ser convocados a depor na Corregedoria.

 

 Empresas – tocadas como escolas iriam à falência (Iconica/ Getty Images)

Gustavo Ioschpe

Imagine que você trabalha em uma empresa em que os funcionários não ganham de acordo com sua competência, mas sim segundo seu tempo de casa e nível de estudo. Não há promoções, mas também só há demissão em casos de violação grotesca. Mesmo faltando repetidamente ao serviço, não alcançando sua meta ano após ano e maltratando seu cliente, você continua no posto até se aposentar. Imagine que não exista, em sua região, universidade que prepare bem para o seu emprego, de forma que você já chega ao trabalho não sabendo muito. Pior: tem gente que trabalha em área diferente daquela em que foi formada; o cara de vendas se formou em letras. Imagine que essa empresa só tenha dois cargos (funcionário e chefe) e que quase metade dos chefes tenha chegado ao cargo por indicação de um conhecido dos donos (o restante é majoritariamente eleito para a posição pelos funcionários). Imagine que os donos são muitos, que eles não costumam frequentar a empresa e que a herdaram como parte de um conglomerado, do qual a sua empresa é uma das que agregam menos valor aos donos. Imagine agora que o serviço prestado pela sua empresa é complexo e dirigido a crianças e jovens. Imagine também que essas crianças e seus pais não saibam julgar a qualidade do serviço, mas achem que está tudo bem, desde que você o empacote em uma embalagem bonita e dê aos clientes alguns brindes (uns livros, umas roupas, de repente até um laptop aos mais sortudos). A empresa consegue dar todos esses brindes; a maioria dos clientes está, portanto, satisfeita. Imagine que os clientes e seus familiares não precisem pagar diretamente pelo serviço: o pagamento vem da empresa-mãe (a que congrega todos os negócios do grupo) e é baseado na compra de outros produtos e serviços oferecidos por outras empresas do grupo.

Agora pense nesse ambiente de trabalho e responda às seguintes perguntas. Se você trabalhasse nele, estaria motivado a dar o seu melhor ou pegaria leve, esperando o contracheque no fim do mês? Como você acha que seus outros colegas de empresa se comportariam? Se lhe dessem um aumento salarial, você se esforçaria mais? Se você fosse uma pessoa carreirista, permaneceria nessa empresa? Aliás, você teria entrado nela? No caso dos chefes indicados pelos amigos dos donos, você acha que eles estariam mais preocupados em agradar aos clientes ou aos donos e seus amigos? No caso dos chefes eleitos por você e seus colegas, acha que eles comprariam briga com você para defender os interesses dos clientes ou virariam seus aliados? Presumindo que os clientes permanecessem satisfeitos e que continuassem pagando indiretamente pelo serviço, você acha que os donos se interessariam em reformar a empresa para que ela servisse melhor sua clientela, desse mais resultados? Ou será que suas prioridades seriam manter a coisa no estado em que se encontra e devotar suas energias para os outros braços do conglomerado, os que dão mais retorno?

Não sei qual o grau de sua fé na humanidade nem suas crenças na natureza humana, mas eu tendo a achar que a empresa acima seria uma balbúrdia, com profissionais desmotivados e trabalhando abaixo de sua capacidade, clientes mal atendidos, conchavos entre funcionários e chefes, donos desinteressados e pouco envolvidos. Eu acho que melhorar o salário dos funcionários não mudaria o problema. Vou além: enquanto essa estrutura de incentivos não fosse alterada, qualquer investimento numa empresa assim seria um desperdício de tempo e dinheiro. Aliás, não é uma opinião, até porque esse cenário não é hipotético nem trata de empresas. O quadro descrito retrata a maioria das escolas públicas brasileiras. Os funcionários são os professores, os chefes são os diretores de escola, os donos são a classe política, os clientes são os alunos. O resto não carece de alterações para chegar à realidade.

Aposto que você sabe que nossa educação é péssima e que esse problema é fatal para nossas possibilidades de desenvolvimento. Aposto também que você acha que esse problema não o afeta, especialmente se você põe seu filho em escola particular. Aposto que gasta mais tempo na seção de esportes do seu jornal do que naquela que cuida de educação. Se é que o seu jornal tem uma seção devotada ao assunto, já que 90% da cobertura do tema se limita a notícias sobre greves, ameaças de greve e outras reclamações salariais. E, até porque o assunto é apenas esse — dinheiro —, você acha (acha não: você tem certeza, depois de vinte ou trinta anos de leituras sobre o assunto) que o principal problema da educação brasileira é o salário dos professores. Aposto também que, dois parágrafos antes, você respondeu que aumentar o salário dos funcionários não resolveria nada, e aposto também que você gosta dos brindes (se você for mais pobre, merenda; se mais rico, lousa eletrônica ou currículo bilíngue) que a escola do seu filho dá.

Antes que os patrulheiros se arvorem, não estou querendo comparar a escola a uma empresa. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Apenas propus um exercício mental. O que espero que esse exercício tenha deixado claro é o seguinte: não é que a educação brasileira fracassa misteriosamente apesar dos melhores esforços de todos os envolvidos. Ela fracassa porque esse arranjo institucional requer a irracionalidade de todos os envolvidos, do prefeito ao professor. Nossa escola não é feita para dar certo — se por “dar certo” entendermos a formação de uma pessoa com as habilidades mínimas para navegar o mundo e desenvolver seu potencial.

 Washington Alves/AE

O professor apaixonado - supera deficiências 

Não faz sentido para um professor brasileiro comprar a briga: com má formação, precisaria de um esforço hercúleo para obter grandes resultados. Mas esses resultados não lhe trariam reconhecimento, promoções, prêmios ou aumentos. Não faz sentido para o aluno brasileiro se esforçar: a aula que ele recebe é extremamente chata, a maioria dos professores não está muito preocupada com o seu aprendizado, e ele sabe que, se fizer um esforço mínimo, vai continuar sendo aprovado, mesmo sem aprender bulhufas. Não faz sentido para o diretor de escola se insurgir contra essa situação e querer mudar radicalmente o status quo. Se a sua nomeação depende de eleição dos professores, ele não vai querer exigir de seus eleitores mais trabalho e dedicação, até por não ter nada a lhes oferecer em troca. Se o diretor tiver indicação política, então, Deus o livre de qualquer incômodo: o importante é dar vida fácil a todos, carregar nos “brindes” e deixar os eleitores do seu padrinho político felizes. Não faz sentido para os pais dos alunos protestar contra o atual estado de coisas, porque a maioria deles está satisfeita com a educação que o filho recebe (em pesquisa recente do Inep, a nota média dada pelos pais de alunos da escola pública à qualidade da educação do filho foi 8,6!). E a maioria está satisfeita porque não tem condições intelectuais de avaliar o que é uma boa educação, pois é semiletrada, e nem sabe que existem avaliações oficiais sobre a qualidade do ensino do filho. Finalmente, não faz sentido para o político trabalhar para melhorar a qualidade do ensino: não há pressão por parte de alunos nem de seus pais, e há uma enorme resistência a qualquer mudança por parte dos sindicatos de professores e funcionários. Politicamente, só há custos, sem benefícios. Nenhum político racional mexe nesse vespeiro.

Há, é claro, as exceções. O professor apaixonado pelo que faz, que dá duro independentemente do salário, da carreira desanimadora, dos alunos desmotivados e dos colegas que o pressionam para se aquietar. O diretor comprometido, que se orgulha de fazer uma grande escola e seleciona profissionais que comprem essa batalha. Os alunos e seus pais que querem melhorar de vida e sabem que precisam de educação de qualidade, que lutam contra a pasmaceira. E os políticos comprometidos com a próxima geração, e não com a próxima eleição. Mas esses são minoria, e o sistema está contra eles. Enquanto a lógica do sistema não for alterada, todas as ações pontuais para melhorá-lo — da lousa eletrônica ao salário mais alto — provavelmente irão para o ralo. Acredito que o quadro só mudará quando a população passar a ver a educação brasileira como ela realmente é. Somente aí poderemos esperar a pressão popular por uma educação de qualidade, que gerará incentivo para que políticos cobrem desempenho dos funcionários do sistema. Ou seja, o problema é seu. Está esperando o que para fazer alguma coisa?

TWB NA BAHIA- UM DESASTRE NÁUTICO

REDAÇÃO DO
JORNAL DA MÍDIA

  Salvador – Apesar de ter anunciado oficialmente que o relatório final da consultoria Fipecafi com o resultado da auditoria da TWB já estava disponível em sua página na internet, a Agerba (Agência de Regulação da Bahia) não colocou o documento no ar, para que o cidadão tivesse conhecimento e pudesse tirar suas dúvidas sobre o que realmente foi feito ou deixou de ser. O documento irá a audiência pública dia 18 de maio, na sede da Agerba, no CAB.

O mínimo que a Agerba deveria ter feito, ao publicar a matéria anunciando a audiência e a divulgação do documento, era colocar, no próprio texto, um aviso tão comum na internet: ”Cique AQUI e baixe o relatório…”

A Agerba garantiu desde ontem que o relatório da Fipecafi já estava disponível em seu site. Hoje, nada foi encontrado. A transparência e a boa divulgação exigiam que a disponibilização do documento ocorresse simultânea ao seu anúncio. No mínimo caberia uma nota da agência explicando a falha… 

Na matéria divulgada no site da Agerba, o diretor executivo Eduardo Pessôa explica que será discutida, na audiência pública, toda a operação da TWB nos últimos cinco anos, “levando em consideração os índices de qualidade na operação do serviço e investimentos realizados pela concessionária, além de novos investimentos que a Agerba entende necessários, sempre considerando o relatório da Fipecafi”.

O relatório da Fipecafi, conforme o JORNAL DA MÍDIA já antecipou em várias oportunidade, encontrou diversas irregularidades praticadas pela TWB desde 2005, ano que chegou na Bahia para explorar o sistema ferryboat.

Além da falta de manutenção, do sucateamento da frota e dos péssimos serviços prestados à população, a concessionária paulista não investiu absolutamente nada na melhoria do sistema – até mesmo os dois navios incorporados, o “Ivete Sangalo e o “Anna Nery”, foram financiados pelo BNB e Fundo da Marinha Mercante e estão sendo pagos com o que a TWB fatura em cima dos usuários baianos – mais de R$ 70 milhões/ano. Não foram investimentos próprios, portanto.

Enquanto Eduardo Pessoa, diretor da Agerba (esquerda) estava em São Paulo definindo o polêmico relatório das irregularidades da TWB, o dono da concessionária, Pinto dos Santos, se articulava. Foi visto com dois deputados da ”base”. Dizem que o relatório que irá a audiência pública não passa de um jogo para plateia. O que o governo quer mesmo, segundo se fala por aí, é encontrar uma justificativa plausível para conceder um ”aporte financeiro” para a concessionária paulista, como sempre fez. 

A concessionária não cumpriu a maioria absoluta dos ítens do contrato de concessão que assinou em março de 2006 com o Estado da Bahia. A TWB participou sozinha da ”licitação” do ferryboat e ganhou um contrato de 25 anos para explorar o sistema. A empresa sequer cumpriu a integralização do capital no contrato assinado, que exigia um investimesto imediato de apenas R$ 6 milhões.

A promotora Rita Tourinho, do Ministério Público da Bahia, que recebeu o relatório da Fipecafi, disse em fevereiro ao JM que realmente havia uma discordância em relação à integralização dos R$ 6 milhões pela TWB – a Agerba entendia que a empresa não tinha cumprido a cláusula, como na verdade não cumpriu.

Outras irregularidades encontradas são a falta de manutenção dos navios, todos pertencentes ao patrimônio público, que foram literamente sucateados nos últimos seis anos, resultando na falta constante de embarcações para atendiumento aos usuários, como ocorre hoje.

É possível também que o relatório faça referência a outros fatos de conhecimento público, como o aluguel, pela TWB, de duas balsas do Estado, que estavam em seu poder, conforme foi denunciado pela “Operação Expresso” da Polícia Civil, em 2009. Uma das balsas foi afundada recentemente, sem que a Agerba tomasse qualquer medida contra a TWB.

Outra constatação da operação policial apontou que a TWB vendeu cinco carros, também do Estado, a terceiros, alguns inclusive comercializados na “Ilha do Rato”, comércio clandestino de veículos localizado em São Joaquim.

Segundo Eduardo Pessoa, depois da audiência pública a Agerba vai analisar todas as sugestões apresentadas, preparar uma nota técnica final que será encaminhada à Procuradoria Geral do Estado “e teremos uma decisão final da concessionária quanto às exigências a serem cumpridas”.

O que a população espera é que esta audiência pública seja verdadeira. E que o conteúdo do relatório da Fipecafi sobre a auditoria na TWB mostre realmente o que a opinião pública sabe de sobra: que o ferryboat é o caos e que a TWB já deu provas de que não tem capacidade para continuar à frente do sistema.

Se for para tentar ”mostrar” que o governo ”está buscando” solução para apenas ”cobrar” o que a TWB nunca faz, nada vai adiantar. Afinal, o governo gastou nada menos que R$ 700 mil com a auditoria da Fipecafi. Tem prejuízos enormes com a TWB, que não paga multa, não paga nada pelo aluguel das embarcações e ainda arrasa com a imagem do governo Wagner. E por cima tem lucro de mais de R$ 20 milhões/ano. Isto tudo sem se falar nos prejuízos inestimáveis causados pela concessionária à Ilha de Itaparica.

Sob o título “Roberto Civita não é Rupert Murdoch”, o jornal O Globo publicou um editorial que ficará na história das lutas democráticas no Brasil. O jornal da família Marinho levantou-se contra as tentativas políticas de criminalizar o trabalho jornalístico de VEJA comparando-o à teia de ações ilícitas promovidas por publicações do australiano Murdoch na Inglaterra. “Blogs e veículos de imprensa chapa-branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista VEJA na esteira do escândalo Cachoeira/Demóstenes/Delta”, escreveu o jornal. O Globo lembra que a motivação da campanha é uma vingança contra a revista por suas reportagens contundentes que desbarataram quadrilhas de corruptos e desagradaram a alas petistas. O jornal desmontou a acusação mais odiosa contra Roberto Civita, presidente do Conselho de Administração do Grupo Abril e editor de VEJA: “Comparar Civita com Murdoch é tosco exercício de má-fé”. Na sexta-feira passada, também em editorial, o jornal Folha de S.Paulo reafirmou sua convicção de que o movimento orquestrado contra VEJA tem motivações políticas: “Tampouco surgiu até agora qualquer indício de má conduta que justifique a intimação de jornalistas da revista VEJA para depor”. O alvo mais direto da armação política é Policarpo Junior, diretor da sucursal de VEJA em Brasília e um dos redatores-chefes da revista. O ex-presidente e atual senador por Alagoas Fernando Collor pediu sua convocação para depor na CPI. Policarpo não é propriamente admirado entre aqueles políticos que se movem nas sombras do poder. Como repórter, foi autor de inúmeras reportagens que revelaram gigantescos esquemas de desvio de dinheiro público e abreviaram a carreira de muitos corruptos. É dele a reportagem que deu origem ao escândalo do mensalão. A justificativa para convocar Policarpo? Segundo Collor, o impoluto: “Esclarecer eventuais ligações com a quadrilha”. Bastaram os dois primeiros depoimentos na CPI para derrubar a farsa collorida. Os delegados federais Raul Alexandre e Matheus Rodrigues, responsáveis pela investigação, foram categóricos em afirmar que Policarpo agiu apenas em busca de informações, não trocou favores com o investigado e fez o que se espera de um bom jornalista: obteve informações dentro dos limites legais em benefício do interesse público.

POLICARPO JUNIOR – Um dos mais competentes jornalistas investigativos do Brasil foi alvo de campanha movida por corruptos históricos

É compreensível que o senador Fernando Collor odeie tanto a VEJA. As capas da revista que espelham a sua trajetória no poder falam por si, muito especialmente aquela em que Pedro, o irmão, conta tudo. Por que não lembrá-las? Todas as edições estão disponíveis aos leitores, mesmo aos não assinantes, na íntegra. Collor não detesta a revista porque ela tenha contado mentiras a seu respeito, mas porque os fatos irrefutáveis relatados em sucessivas edições resultaram na sua queda. O povo de Alagoas o elegeu senador. Tem uma mandato legítimo como o de qualquer outro. Mas não tem legitimidade para tentar intimidar a imprensa. Tampouco se apaga a sua história. Reinaldo Azevedo na VEJA

Este senhor precisa entender que a imprensa livre não existe por vontade dos políticos. Os políticos é que existem por vontade da democracia, de que a imprensa livre é um dos pilares. 

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Nos anos de 1991 e 1992, o PT era um partido de oposição e achava que a VEJA prestava relevantes serviços ao país. E prestava mesmo! Ontem como hoje. Se algum parlamentar da base collorida sonhasse em enviar a imprensa para o banco dos réus, o partido certamente reagiria. Por amor à democracia? Não! Esse, tínhamos nós. Os petistas tinham apenas um projeto de poder.Quando chegaram lá, elegeram a imprensa livre como sua principal adversária – justamente aquela que era paparicada na véspera. Afinal, algo havia mudado: no poder, o PT, como acontece com todo mundo que vence a eleição, deixou o papel de pedra para ser vidraça; deixou de investigar para ser investigado. E não se conformou.

Uma banda do partido não teve dúvida. Juntou-se com o seu adversário de antes – e as capas acima valem por uma folha corrida – para tentar perseguir o jornalismo independente. Tentem saber, hora dessas, por curiosidade, o que fazia o lixão que hoje ataca a revista. Para fazer o que se vê acima – e o que se viu nos governos que se sucederam –, é preciso ter coragem. Quem vive de rastros, implorando dinheiro oficial para existir, nao consegue ser dono nem da própria opinião, tanto menos de um jornalismo crítico e independente.

A imprensa que tem vergonha na cara não mudou. Essa é a história.

Por Reinaldo Azevedo

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Notícias sobre a Ilha de Itaparica/Bahia - o Brasil e o Mundo. Moderadores: Mauricio Vergne, Carlos(Canto Ecológico) e Silvio Baraúna

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