Abrolhos, o santuário ameaçado.

In: Canto Ecológico| O Estado de S.Paulo

3 set 2011

Omissão do governo em exploração de petróleo leva riscos a Abrolhos

Treze blocos de extração do óleo estão tão próximos do santuário que, se houver um acidente, será difícil evitar um desastre ambiental; reserva marinha, que abriga 9 mil baleias-jubarte, é considerado o local de maior biodiversidade do Atlântico sul

Iuri Dantas, de BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Sem lei para evitar que a indústria petrolífera se aproxime perigosamente da reserva de Abrolhos, no litoral da Bahia, o Brasil tem hoje 13 blocos de extração de óleo localizados tão próximos do santuário de 9 mil baleias-jubarte que, em caso de acidente, não há segurança ambiental mínima para evitar um desastre ecológico.

Santuário. Parque marinho abriga corais e baleias-jubarte - Sterling Zumbrunn/Conservação Internacional-1/10/2010
Sterling Zumbrunn/Conservação Internacional

 Com base em acidentes já registrados e políticas adotadas em outros países, os pesquisadores dizem que a exploração de petróleo não deveria acontecer em um polígono de 92 mil quilômetros quadrados – área equivalente à de Portugal – ao redor do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, o local de maior biodiversidade do Atlântico Sul. Essa é a área que, pelas características das correntes e a riqueza da flora e fauna da região oceânica, funcionaria como uma rede de proteção contra eventuais acidentes.

Para se ter ideia de quanto vale a segurança ambiental dessa distância, o derramamento de óleo no Golfo do México, no ano passado, afetou 229 mil quilômetros quadrados, uma área duas vezes e meia maior que o polígono sugerido para Abrolhos.

Os 13 blocos de exploração de petróleo que se localizam no interior do polígono de 92 mil quilômetros quadrados, a área considerada de segurança, são operados pelas empresas Petrobrás, Vipetro, Perenco Petróleo e Gás do Brasil Ltda., Cowan Petróleo e Gás S.A. e Sonangol Starfish Oil & Gas S.A. Esse polígono foi sugerido ao governo em estudo conduzido pela ONG Conservação Internacional em 2005.

Para estabelecer essa área, os técnicos da ONG utilizaram o método de dispersão da gota de óleo, também usado pelo governo da Nova Zelândia. Significa dizer que, se houver derramamento em qualquer ponto do polígono, o óleo atingirá Abrolhos.

De lá pra cá, o plano foi absorvido pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) como um “excelente trabalho”, mas nada foi feito de prático, além da promoção de discussões internas do governo. “Esse estudo é excelente”, avaliou Cristiano Villardo, coordenador-geral de Petróleo e Gás do Ibama. “Seria interessante ter uma solução de longo prazo, se é tão importante assim proteger Abrolhos, como diz o governo”, afirmou.

Medida tampão. O expediente de curto prazo foi adotar uma zona de 50 quilômetros ao redor do arquipélago, que fica excluída dos leilões da Agência Nacional de Petróleo (ANP), informou o próprio órgão regulador.

Novamente para comparar, o derramamento do poço Macondo, da British Petroleum, sujou de óleo 790 km da costa norte-americana há um ano e meio.

“Mais de 20 mil famílias dependem de Abrolhos para sobrevivência, e a extração de recursos ali representa 10% da riqueza pesqueira do País”, descreveu Guilherme Dutra, um dos autores do estudo da Conservação Internacional. “Não somos loucos de propor exclusão de áreas econômicas, mas simplesmente não dá para permitir exploração de petróleo e gás, certamente é um risco.”

O Instituto Chico Mendes (ICMBIO), do governo federal, pretende brigar pela criação de novas áreas de proteção ambiental na região, segundo Rômulo Melo, que preside a instituição. “Há interesse do governo em preservar Abrolhos e temos conversado com as ONGs para ver onde a gente possa propor outras áreas de conservação.”

O Ministério do Meio Ambiente adotou, em 2006, uma portaria vedando a exploração de petróleo em área próxima à zona de exclusão proposta pela Conservação Internacional, segundo Villardo. O movimento ajudou a excluir mais de 200 blocos de uma licitação da ANP.

Mas o instrumento foi derrubado pela Justiça no ano passado. A partir de então, as empresas retomaram a exploração.

O governo também optou por uma solução política. Em vez de definir uma zona de exclusão formal, de forma transparente, ficou decidido, por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética, que a ANP deveria consultar o Ibama antes das licitações.

O problema é que o instituto não tem lei para trabalhar e evitar que a exploração se aproxime de Abrolhos.

Confusão. A falta de regras levou até a estatal Petrobrás a iniciar a exploração de áreas que podem representar riscos a Abrolhos. A empresa disse ao Estado que suas operações estão “de acordo com legislação vigente e dentro dos mais rigorosos padrões internacionais de segurança operacional, com absoluta preocupação com o meio ambiente”.

A disposição do governo de ampliar áreas de proteção, no entanto, representa um risco para a própria petroleira e seus acionistas. Em comunicado enviado ao Estado, a Petrobrás elencou medidas adotadas para prevenção de acidentes. Por exemplo: “Todas as unidades marítimas de perfuração (…) são equipadas com sistemas que podem prover o fechamento imediato e automático do poço, prevenindo seu descontrole.”

Outro exemplo: “A companhia, seguindo os mais modernos padrões internacionais, instalou dez Centros de Defesa Ambiental (CDAs) distribuídos no País.” A Petrobrás foi a única empresa que respondeu aos questionamentos feitos pelo Estado

4 Responses to Abrolhos, o santuário ameaçado.

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CantoEcologico

setembro 3rd, 2011 at 19:55

No início da noite do dia 31 de agosto (quarta), em uma cena cinematográfica, o Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro – autorizado pelo governador Sérgio Cabral Filho, amigo pessoal de Eike Batista, invadiu a sede da OGX, no Rio e arrastou os ativistas do Greenpeace para o camburão.

Até jornalistas que cobriam a manifestação foram levados para a delegacia.

O protesto era pacífico, contra a exploração de petróleo e gás no santuário ecológico de Abrolhos, extremo sul da Bahia. Mas a OGX, de Eike Batista, reagiu com extrema violência.

Vestidos de baleias, os ativistas do Greenpeace se acorrentaram na entrada do edifício da empresa, no centro do Rio. O objetivo era obter um posicionamento definitivo dos executivos sobre a retirada de suas operações na região de Abrolhos.

Mas a empresa divulgou apenas um comunicado vago, que mostrou desconhecimento científico sobre o impacto que um vazamento pode causar no arquipélago.

Antes de chamar o Pelotão de Choque da PM, a OGX havia trancado os ativistas dentro da sua sede por cerca de nove horas, isolando o local com uma lona preta para evitar fotografias e filmagens.

A energia elétrica foi cortada e os ativistas ficaram todo o tempo sem acesso a água e alimentos.

O Greenpeace, em Nota, diz que “Se por um lado, ainda não conseguimos que a OGX deixasse Abrolhos, por outro, nossa mensagem correu o mundo. Não vamos desistir, mas sabemos que nossa pressão é apenas um pequeno passo para atingir este objetivo. O posicionamento público é fundamental para fazer as empresas tomarem uma atitude responsável”.

Ao todo, dez empresas estão autorizadas pelo governo brasileiro a explorar petróleo e gás em Abrolhos. O risco de um desastre ambiental é grande. Ambientalistas e diversos setores da sociedade civil organizada lutam pela preservação dessa riqueza natural.

http://www.redeimprensalivre.com.br/archives/21484

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marianne

setembro 4th, 2011 at 16:35

o pt é desenvolvimentista a qualquer custo. querem um governo populista bolivariano e repressão chinesa. aqui na ilha nossa linda FLORESTA OMBRÓFILA, no pedrão, está sendo agora, destruída pela invasão de cunho eleitoreiro promovida sob a bandeira do pt. morros e encostas vem sendo queimados, árvores que levaram anos prá crescer são cortadas sem dó. o ambiente está infestado de lixo e odor de queimadas.a prefeitura já esteve lá e NÃO FAZ NADA! o Ibama conseguiu conter a destruição na área da fazenda Pedrão mas na antiga fazenda de D. Margarida a devastação prossegue sem trégua.

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Fátima Madureira

setembro 5th, 2011 at 11:06

Realmente será um desastre ecológico de grandes consequências, além de destruir praias maravilhosas do sul da Bahia como Prado, Caravelas e Alcobaça.
Acompanho de perto essa exploração na região de Abrolhos, pois minha família paterna é de Alcobaça que é um paraíso, além de ser hoje na Bahia o maior polo pesqueiro contando com mais de mil e duzentas embarcações que levam até 15 dias no mar, na região no entorno de Abrolhos e abastece a Bahia, Espírito Santo e até Goiás de pescados.
Por enquanto a exploração é apenas de gás, mas quando for de óleo será o perigo eminente.
Aqui pertinho da Ilha temos a exploração de gás feita pela Plataforma Manati 2 em Morro de São Paulo, em plena produção e que inclusive o gasoduto passa através de toda a Ilha. É tão perigoso o trabalho na Plataforma que não há funcionários por lá. Todo o controle é feito em terra por controle remoto.
Prospecção e Exploraçãp de gás e óleo são feitas pela Petrobrás em Conselho Permanente e nâo pelo PT e nem por qualquer outro partido. É uma questão de segurança nacional.

Marianne, continue fiscalizando a invasão de Barra Grande e Pedrão para nos dar dicas sobre o assunto. Fotografias serão bem vindas.

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Joston Miguel Silva

setembro 5th, 2011 at 13:56

Continuemos a divulgar e enviar para a Presidenta Dilma e o ministério correspondente. Joston

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